Coleção Cultura Popular

Além de possuir caráter erudito, o MAUC também é considerado um centro de preservação das artes populares, sendo possuidor de um rico e vasto acervo de Cultura Popular representativa da região Nordeste do país.

A Coleção de Cultura Popular do MAUC é composta de aproximadamente 2.000 peças, dentre as quais destacam os conjuntos de esculturas populares em madeira, cerâmica e barro cru, e parte do acervo está em exposição permanente aberto à visitação.

O projeto de Antônio Martins Filho de criar um Museu de Arte que pudesse contribuir com a cultura e a educação artística no estado, de forma a alcançar o “universal pelo regional”, teve seu auge de investimento ainda nos anos iniciais. A primeira fase de aquisição das obras do acervo popular, iniciada três anos antes da fundação da instituição, caracterizou-se pelas viagens designadas ao pintor maranhense Floriano Teixeira e a Lívio Xavier Junior, e pela gestão do reitor Antônio Martins dentro do contexto do movimento a Defesa do Folclore Brasileiro (1947-1964).

Esculturas em madeira

Em relação as esculturas em madeira, destaca-se o escultor popular Chico Santeiro, um dos maiores artistas populares do Nordeste. O artista participou de exposição no período que denominamos Pré-MAUC, em 1958, no Salão Nobre da Reitoria. Sua arte retrata figuras do imaginário nordestino como os cangaceiros, as rendeiras, os tipos de ruas e os carros-de-bois. Em referência a cultura potiguar, encontramos obras de Irene Félix, José Bezerra, respectivamente filha e genro de Chico Santeiro.

Além desse artista, podemos destacar os trabalhos de Mestre Noza, composta por uma coleção encomendada pelo professor Renato Casemiro, no total de 59 peças, todas doadas ao Museu da nossa Universidade, em 2011. Consta, dentre as obras do seu acervo, uma grande imagem do padre Cícero e mais três pequenas, produzidas em sua oficina, inacabadas e em estágios diferentes de construção.

Joaquim Mulato, grande observador da natureza, das construções e devoto de santos – que culminou no desejo de esculpir –, criou várias e características esculturas religiosas. A coleção do MAUC conta com mais de cinquenta obras religiosas deste autor. O escultor foi contemplado com o título de “Mestre do Saber Popular” pelo Governo do Estado do Ceará.

As duas últimas coleções de esculturas em madeira, chegaram ao MAUC através do intermédio do Professor e Pesquisador de Cultura Popular, Gilmar de Carvalho.

 

Esculturas em cerâmica e barro cru

A ação de coleta levada a efeito por Floriano Teixeira e Lívio Xavier na viagem de janeiro de 1960 não se restringiu apenas a cópias de xilogravuras: “Além dessa colheita, finalidade precípua dessa viagem, os signatários adquiriram também grande quantidade de peças de cerâmica e escultura popular, destinadas, igualmente, ao acervo do aludido museu”.

A maior parte das cerâmicas foram adquiridas da região de Caruaru – PE, e o MAUC conta também com obras de barro cru, produto do trabalho de artistas nordestinos e adquiridas pela Universidade. Dentre eles, destaca-se Mestre Vitalino e seus discípulos: Manuel Eudócio, José Caboclo, Amaro Rodrigues, Sebastião Ezequiel, Ernestina, Manuel Antônio, além de outros autores desconhecidos.

Vitalino nasceu no município de Caruaru em 1909 e começou o trabalho com barro desde cedo e vendia as peças na feira, passando a ilustrar cenas corriqueiras do cotidiano. Artista de grande destaque na arte cerâmica do Nordeste, está presente no acervo do MAUC com as peças “Lenhador”, “Pau de Onça”, “Vendedor de Tapioca”, “Vendedor de Mel e Ladrão de Bode”, entre outras.

As coleções expostas na Sala de Cultura Popular abrangem desde os trabalhos de João Antônio de Souza, de Goiana – PE, às coleções de Noza, de Juazeiro – CE e do Mestre Vitalino, de Caruaru – PE. Também podemos encontrar expostas as coleções dos artistas da Bahia e de Cascavel – CE.

De inclusão mais recente no acervo estão Ciça do Barro Cru, Maria do Barro Cru e Maria do Socorro Cândido. Todas as peças destas escultoras foram doadas ao Museu de Arte respectivamente nos anos de 1990 e 2002 por Gilmar de Carvalho.