Coleção Descartes Gadelha

Descartes Gadelha, nascido em Fortaleza no dia 18 de julho de 1943, é considerado um artista expressionista. Artista de interpretação, sua temática aborda com lirismo os principais traços do comportamento de personagens de vivência mais sofrida, além dos perfis sociais em que se inspirou durante sua trajetória artística. Observador do cotidiano, optando por personagens populares do Nordeste, o artista representa claramente a pretensão do MAUC de alcançar o Universal pelo regional.

O artista cresce próximo ao porto da praia Formosa, tornando-se um apaixonado por jangadas. Autodidata, torna-se pintor, escultor e músico, iniciando-se na pintura em 1962, orientado por Zenon Barreto. Sua primeira exposição foi no MAUC, em 1963, na coletiva “A paisagem cearense”. No mesmo ano participou da coletiva “Pintores do Nordeste”, na inauguração do Museu de Arte Popular na Bahia. Ficou em primeiro lugar no Salão de Abril em 1964 e 1965, em Fortaleza. Em 1967, recebe Menção Honrosa no 1° Salão Nacional de Artes Plásticas do Ceará. Em 1971 realiza individual de inauguração da Galeria Portinari, em Fortaleza e em 1999, na reinauguração do Museu de Arte da UFC, entre outras exposições realizadas.

Destacou-se pela criação de pinturas, xilogravuras, peças em bronze e argila que retratam a resistência sertaneja da Guerra de Canudos (1896 – 1897), inspirado na obra “Os Sertões” de Euclides da Cunha (rebelião ocorrida no arraial de Canudos, no Nordeste do estado da Bahia, liderado por Antônio Conselheiro). Dedicou-se aproximadamente 30 anos a essa criação, ligando-se emocionalmente a tragédia, expondo o resultado “Cicatrizes Submersas: uma ilustração de Canudos” em 1997 no Palácio da Abolição.

Em 1989, o artista debruça-se sobre a temática “Catadores do Jangurussu”, expondo no MAUC. Esta coleção recebeu nos salões do MAUC duas grandes exposições, uma no período da criação e outra retrospectiva desta coleção,  no ano de 2010. A exposição contou com 6 obras que instigam a reflexão da comunidade, causando até perturbação diante da crítica ali retratada, dentre elas os quadros “Herói do Aterro”, “Pietá do lixo” e “Vida de Chorume”.

Com trajetória ligada fortemente ao MAUC, Descartes Gadelha expôs várias vezes no Museu:  “Canindé: Canaã Nordestina” (1974), “De um alguém para outro alguém”, de 1990 e “Caldeirão de Fé”, de 2006. No VII Festival UFC de Cultura, o MAUC em parceria com a Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC, realizam uma retrospectiva com todas as coleções do artista, em 2014.

Em decorrência da doação realizada de cerca de 200 obras ao MAUC, em 15 de setembro de 2006, o artista ganha sua sala permanente no circuito expositivo do museu.  Outra importante criação de Descartes Gadelha refere-se à representação de Iracema,  que encontra-se sob guarda da UFC e integra o Salão de Iracema, na Casa de José de Alencar da UFC.

Em 27 de novembro de 2015, integrado à programação dos 60 anos da Universidade, o artista, que conseguiu captar através da sua sensibilidade artística a religiosidade, a cultura e os grandes problemas sociais do Nordeste brasileiro, recebeu em solenidade dirigida pelo reitor Henry Holanda, o título de Doutor Honoris Causa da UFC.

Exposições realizadas:

Exposição ; Descartes Gadelha – 40 Pinturas a Óleo – 20/11/1963
Abertura ; Descartes Gadelha – 18/04/1974
Exposição ; Descartes Gadelha – 18/04/1974
Exposição ; Descartes Gadelha – O Santo A Fé O Homem A Terra – 27/10/1983
Exposição ; Catadores do Jangurussu – Descartes Gadelha – 20/07/1989
Exposição ; De um Alguém para Outro Alguém – Descartes Gadelha – 26/02/1991
Abertura ; Caldeirão de Fé – Descartes Gadelha – Sala Permanente – 15/09/2006
Exposição ; Caldeirão de Fé – Descartes Gadelha – 15/09/2006
Exposição ; Catadores do Jangurussu – Descartes Gadelha – 18/10/2010

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