Exposição de
Bandeira no
Mauc - 1963


Histórico
HISTÓRICO

O Fundador
A IDÉIA
DA CRIAÇÃO


Exposição de Instalação
EXPOSIÇÃO DE
INSTALAÇÃO-1961

Cartazes Europeus
Cartazes
Europeus-1961

Gravuras do Brasil
Gravuras do Brasil
na Europa-1961

Luiz Figueroa
Luiz Figueroa-1961

Cela-Desenhos-1961
Desenhos
Raimundo Cela-1961
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Exposições:    

Exposição de Pinturas de Antônio Bandeira
15 de julho de 1961

Convite da Exposição - Acervo do MAUC
- Imagens da solenidade de abertura

TRANSCRITOS DO CATÁLOGO:
- Texto de Fran Martins
- Texto de Aluísio Medeiros
- Poesia de Carlos Drummond de Andrade a Bandeira
- Biografia de Antônio Bandeira
- Texto de Antônio Bandeira
- Lista das Obras Expostas

RECORTES:
- Jornais da Época


(TEXTO DE FRAN MARTINS)

Nada melhor, para o Museu de Arte da Universidade do Ceará, do que iniciar suas atividades com uma exposição de Antônio Bandeira. Digo iniciar suas atividades porque acredito que o MAUC está convencido de que um museu não é um órgão estático, parado, depósito de quadros sem vida e sem calor. E assim, inaugurado há poucos dias, o mais jovem museu do Brasil já começa a procurar agitar a pacata cidade de Fortaleza - mostrando, no espaço de 30 dias, os óleos e os guaches de um dos mais discutidos e anticonformistas dos pintores brasileiros. E Deus queira que esta primeira amostra do monstruoso Antônio faça com que os últimos remanescentes das tribos alencarinas empunhem tacapes (com licença da palavra e com homenagens aos pioneiros de 22) e promovam motins, fazendo com que os seus gritos de cólera ou de louvação ecoem nas quebradas da verde serra, com o romantismo solene das brigas provincianas.

Nada melhor do que uma exposição de Bandeira para mostrar que o Museu de Arte da Universidade do Ceará nasceu vivo e promete endiabrar-se. Pois o fato é que, nesta sua terra de frases feitas, de paisagem serena, de alencarinos mares bravios e monótonos cantos de jandaia, Bandeira sempre foi um símbolo de agitação. Quando aqui chegou, pela primeira vez, vindo de Paris, com legendas fantásticas aureolando-lhe o nome e o cavanhaque - lembro-me bem da barrasca que os seus quadros provocaram entre os intelectuais e o povo em geral, uns querendo adivinhar o que eles significavam, outros liquidando-os com um simples olhar desdenhoso, e outros ainda, em mirrada mas significativa minoria, a justificar as suas atitudes, o seu modo de ser e de sentir as cousas.

E no meio de tudo, a figura do artista, silenciosa, às vezes risonha, a olhar para todos com simpatia, intimamente gozando aquela agitação que provocara. Nesse tempo não pensávamos em museu, nem sequer numa pequena galeria - como pensar nessas cousas se até mesmo a Sociedade Cearense de Artes Plásticas agonizava aos nossos olhos? Foi aquilo uma simples aventura - como aventura foram mais tarde as exposições de Aldemir e de Sérvulo Esmeraldo, visitadas por um público que sempre visita exposições mas sem nenhuma penetração no espírito do povo. Foi necessário que viesse a Universidade, desse um banho de otimismo na alma do povo, realizasse muitas cousas antes para que , de um instante para outro, surgisse o Museu. Museu que na verdade ainda está a se formar, mas que é admirável justamente por isso, porque vai começando da estaca zero, com quadros e imagens emprestadas, com arte popular pela primeira vez apresentada como cousa de valor, para grande surpresa de mestre Chico Santeiro, e Francisco Silva, que jamais pensaram que os bonecos que faziam e as serpentes que pintavam um dia seriam admirados por generais e doutores, todos neles reconhecendo valores que os seus próprios autores ignoravam completamente.

E vem o Museu e convida Antônio Bandeira para fazer uma amostra dessas telas que representam o melhor de sua última fase de pintura. Depois de se apresentar nos mais destacados centros de arte do mundo, vem o Bandeira, humildemente, deixar em sua terra uma semente que certamente brotará. Aqui ficará uma sala sua, que será sempre renovada porque tanto o Museu como o Bandeira não estacionarão nesse começo. Amanhã teremos outros quadros seus, não para substituir os que hoje são expostos, mas para aumentar a coleção que para nós, por todos os motivos, será sempre preciosa.

Nesta exposição inaugural do Museu de Arte do Ceará sei que deveria fazer uma apresentação do artista, dizer dos seus méritos, das vitórias que alcançou, do sucesso que vem tendo aquém e além mar. Mas para que - se vocês todos sabem quem é o Bandeira, se páginas atrás há interpretações de sua arte, há poemas e notas biográficas, há até um depoimento do artista que é, em prosa, maravilhosa pintura? Deveria eu também dizer dos propósitos do Museu de Arte da Universidade - mas isso vocês entenderão melhor vendo que, com a exposição de Bandeira, o MAUC está imbuído de um espírito novo, como tudo o que é iniciativa da Universidade.

A única cousa que poderei destacar é que, com a exposição de Bandeira, está começada a revolução. Que os pacatos filhos da terra da luz se preparem para as ofensivas que daqui por diante virão, oriundas dêste museu em embrião que dia a dia terá de crescer e solidificar-se. Outras exposições virão, outras iniciativas se sucederão a esta. O melhor de tudo mesmo é ter sido o movimento iniciado com o nosso Antônio Bandeira, ele próprio um símbolo de renovação que deverá ser, e certamente será, o símbolo representativo do Museu de Arte da Universidade do Ceará.

Fran Martins

(TEXTO DE ALUÍSIO MEDEIROS)

Detalhe do Livro de Assinaturas

No princípio Antônio Bandeira teve que percorrer os ásperos caminhos do autodidatismo sob o azul de um céu escampo e a persistente claridade solar iluminando tudo - o copado verde das árvores, as brancas casas e seus telhados vermelhos, a rubra, violência da flor do cactus, o bravio esverdeado do mar, o amarelo agressivo dos flamboyants. Essa multicolorida paisagem instigante da sensibilidade plástica de Antônio Bandeira fundia-se às formas ígneas que o pintor trazia gravadas nos olhos quando, ainda na infância, contemplou deslumbrado a fundição do ferro e os fornos flamantes na oficina do velho Bandeira, seu pai.

Com a mão embebida nas cores e o entusiasmo do descobrimento de pintores cujo universo sensível ao seu universo sensível assemelhava-se. Antônio Bandeira nem por isso deixava de marcar com a sua personalidade os óleos e aquarelas que então fazia. Sua sensibilidade nessa época inclinava-se para a fixação, com desmedida exuberância de cores, dos esconsos recantos do Morro do Moinho, onde se afundavam humildes casas de uma gente humilde, de velhas ruas esquecidas pelo tempo, da ternura feminina a passear pelas esquinas das noites, pelas alvas igrejas silenciosas na sua impotência, enfim, para a fixação da paisagem urbana da cidade de Fortaleza dos idos de 40 e da humanidade que ali habitava.

Mesmo nesses primeiros instantes de sua vida artística Antônio Bandeira não se inclinava servilmente à natureza circundante. Casas, pessoas, flores, nuvens, redes de dormir, ruas, o "atelier", tudo passava por uma transfiguração lírica. Tudo recebia um tratamento plástico onde estava presente o próprio Antônio Bandeira. Verdade que não ainda o artista em toda a sua inteireza, mas já o que nele havia de essencial era visível à primeira impressão.

Esse foi o princípio do pintor Antônio Bandeira. Depois...depois foram os longos anos de disciplinado e constante aprendizado, o sofrido aprimoramento do talento que em si carregava, a descida ao mais profundo de si mesmo para de lá trazer a sua visão plástica do mundo. Seja ressaltada aqui a honesta fidelidade de Antônio Bandeira para consigo mesmo, porquanto o pintor formou-se artisticamente em Paris, lugar para onde convergem e de onde se irradiam todas as correntes, tendências, escolas e experiências do agitado - hoje mais que nunca agitado - mundo das artes.

Os mais recentes trabalhos do pintor, seus óleos e guaches, só no tratamento formal diferem do que por ele foi feito no passado. Não sendo Antônio Bandeira autor de um quadro, mas sim de uma seqüência que não chegou ao seu termo, há na obra toda do artista cearense uma constante temática e uma permanência das texturas tonais e cromáticas. Com tratamento diverso seus temas de hoje são os mesmos de ontem: "As árvores" , "Noite sôbre a Cidade", "Paisagem Longínqua", "Cidade Adormecida", "Marítima Verde", "Bairro Noturno", "Flora Azul". As cores das telas de ontem voltam insistentes nos óleos e guaches de hoje: o azul, o vermelho, o preto, o amarelo, o verde, o branco.

Assim, Antônio Bandeira ao contemplar o mundo que já conhece volta-se para dentro de si, qual um explorador incansável do território incansável do território infinito das emoções, a fim de perpetuar em novas transfigurações o que existe de incorruptível, atravessando os tempos, no universo de ontem, no de hoje e por certo no do futuro. E da visão renovada dos mesmos assuntos e usando as mesmas cores de sua eleição, Antônio Bandeira capta novos ângulos em instantes plásticos.

Não tendo a preocupação de filiar-se a uma das muitas correntes, tendências, escolas e grupos de artes modernas ( Não tenho nome para a minha pintura. Considero-a em realização, em constante elaboração, e não encontro classificação para o que eu faço. Em Paris, costumam chamar-me de abstrato, porém, quando eu vou começar um quadro, nunca penso nisso, nesse suposto abstracionismo meu), Antônio Bandeira optou pelo caminhar solitário na busca do âmago da criação, numa vigorosa afirmação de sua personalidade criadora.

E nesse caminhar o artista encontrou uma harmoniosa visão lírica do mundo e muitos dos seus trabalhos roçam suavemente pela musicalidade, pela musicalidade de um Debusy, talvez pudesse aduzir. É o que o observador concluíra ao postar-se diante de certos óleos do pintor Antônio Bandeira. Aqueles que se preocupam com o problema das influências provàvelmente encontrarão afinidades entre o pintor brasileiro e Paul Klee. Mas o importante a assinalar é que Antônio Bandeira é um artista do mundo de hoje, como seus quadros onde as nervosas linhas coloridas emergem do caos ou onde simetria dos traços organiza o informal.
thati

Aluízio Medeiros

(POESIA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE A BANDEIRA)

a antônio bandeira

caro pintor bandeira.
que tua mão certeira
encontre a cada dia
essa fina alegria
de reinventar o mundo,
tornando-o mais profundo,
mais claro e vaporoso.
há no espaço gracioso
em que teu sonho move
e liberta e comove
a essência dos objetos,
não sei que ultra-secretos
enigmas e doçuras.
bandeira, são as puras
raízes da tua arte.
com ela, em tôda parte
descobrirás aquilo
que teu olhar tranqüilo
vai sempre transformando
(amar se aprende amando).
modelador de brumas,
formas raras. espumas,
unindo a fantasia
a uma abstrata beleza.
- seja-te o ano propício,
e a êsse teu nobre ofício.

Carlos Drummond de Andrade

(BIOGRAFIA DE ANTÔNIO BANDEIRA)

Nasceu em Fortaleza - Ceará - Brasil, em 1922.
Fundou com os pintores de Fortaleza o centro cultural cearense de Belas Artes, até hoje S.C.A.P. (Sociedade de Artes Plásticas), onde realizavam exposições permanentes e faziam um "Salão". Em 1945 vem para o Rio de Janeiro, sendo distinguido pelo adido cultural da França com uma bôlsa de estudos em Paris aos auspícios do governo francês, depois de ter apresentado uma mostra individual no Instituto de Arquitetos do Brasil.

Desenha no atelier do Professor Narbone e grava no do Professor Galanis, na "École Nationale Supérieure des Beaux Arts", desenha livremente na "Académie de la Grande Chaumiere". Pinta sòzinho na "Cité Universitaire", na mansarda (água-furtada) do Quartier Latin e no atelier do Parc Montsouris, frequentando os pintores de Montparnasse. Passa a frequentar Saint-Germain des Prés, ligando-se a Wols e Bryen, e formam o "BANBRYOLS" (Ban de Bandeira, Bry de Bryen e Ols de Wols), grupo que realmente nunca expôs junto devido à morte do último componente. Até 1950 vive completamente integrado entre os pintores da chamada "École de Paris".

Volta ao Brasil, onde expõe e executa pinturas murais até 1954. Ganha o Prêmio de Viagem ao País no Salão de Arte Moderna. Regressa a Europa com o Prêmio Internazionale Fiat di Torino, obtido na II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Instala-se definitivamente em Paris, com uma estadia em Bruxelas durante a Exposição Internacional de 1958.

Em 1959 volta ao Brasil. Em 1960 inaugura com uma exposição individual o Museu de Arte Moderna da Bahia e toma parte na delegação brasileira à Bienal de Veneza. Expôs no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, na 5ª Bienal de São Paulo e na XXX Bienal de Veneza.

Depois da primeira exposição de Fortaleza, em 1942, Antônio Bandeira participou das maiores exposições coletivas internacionais; das Bienais de Veneza e de São Paulo, do Salon de Mai, do Salon Realités Nouvelles, "de 50 anos de Pintura Abstrata", do "Salon D'Art Libre", bem como tem realizado exposições individuais em Paris, Londres, New York, estando suas obras espalhadas em museus e galerias européias e americanas e em várias coleções particulares.


(TEXTO DE ANTÔNIO BANDEIRA)

Primeiro me deram de presente as nuvens, depois um sunga de veludo vermelho, e aí começou a nascer uma liberdade imensa.
Infância girou em tôrno de árvore, era um sólido f'lamboyant vermelho, preto e amarelo que um dia se tornaria em quadro, ou melhor, em seqüência dêles, em pintura, talvez.

Nesse momento nuvens, mar e árvore já formavam um crepúsculo plástico, um nascimento ou uma morte, uma natividade.
A feia humanidade viria depois, e aureolada com os feitos da vida - sofrimento e glória - nem era tão feia assim.
Houve até uma compaixão pictórica, tudo se metamorfoseava em belo. A escôlha dos temas enchia o coração do homem e a superfície da tela.

Com o correr dos tempos tôda essa humanidade foi se dando a mão, formando ciranda, como uma linha, uma geometria, um desenho, até se tornar em quadro, digo pintura, porque um quadro é um antecedente do quadro presente, continuando no quadro que vem depois. Uma visão do passado, presente e futuro, cadinho de emoções. E falando em cadinho me vem logo à mente a fundição de meu pai, cadinho de raças, carinho de ferro e bronze, carinho também de carne e alma.

Falando ainda em cadinho creio que fundindo homens e bichos, cidades, trens, navios, árvores e lixo, remexendo bem como no disco de Newton, se poderá conseguir uma confusão ou receita psicoplástico-poética que não é nada e é tudo. Diante dessa emoção o homem não deve rir nem chorar, apenas ficar calado. Assim como chuva, nuvens e balão, da guerra não, do céu caindo, sôbre as flores, pela escada, pelo chão, uma mulher parindo.

Depois vem a grande cidade (estamos nela sempre), mas guardamos e conversamos sempre uma certa paisagem longínqua. Infância, objetos, música, perfumes, sêres passados acontecidos ou vividos, ficam eternamente conosco, como conteúdo vivo, como pureza. A imensa cidade do dia e da noite, entre atormentada e tranqüila, próxima e distante - para sofrimento e pedaços de felicidade nossa - essa mesma cidade, que as vêzes de tão grande que é, vira uma pequena província.

O campanário de Saint-Germain des Prés recordando as vêzes um outro, o da Igreja de São Benedito, de Fortaleza, onde íamos jogar bola de pano, aproveitando da sombra mansa do oitão do Templo (e nem sabíamos que estávamos num Templo... só hoje). "Lá Tonnelle", o "Bistrot" dos Clochards", com plantas verdinhas parecendo a latada de maracujá do quintal lá de casa. Era verão, havia pombas no chão. Paris era lindo, mais que lindo: era cruel e humano.

Agora vem o vazio, à noite, o minuto da criação, a função da inspiração e transpiração dosada de poesia, o equilíbrio físico e moral. A superfície vírgem deve dialogar com o homem.

Devemos purificar, sofrer, rasgar, acarinhar, transformar a matéria vegetal. Água ou óleo ou terebentina ou espátula ou pincel amolece, açoita, martiriza a superfície em criação. É quase roupa branca se amoldando à manufaturação do homem. O enxugamento, o quarador, a côr, o sol, o cérebro, a mão, e enfim o sentimento de uma mensagem transmitida.

Antônio Bandeira

(OBRAS EXPOSTAS)

1 cidade queimada de sol (homenagem à fortaleza) - 1,20 x 1,20 - 1959
2 noturno - 0,60 x 0,73 - 1958
3 a grande cidade vertical - 0,97 x 1,62 - 1960
4 paisagem branca - 0,80 x 0,73 - 1961
5 selva noturna - 1,20 x 1,20 - 1959
Amazonas Guerreando, 1958 6 paisagem azul - 1,62 x 0,97 - 1960
7 bouquet vermelho - 0,46 x 0,55 - 1957
8 flora azul - 0,89 x 1,46 - 1958
9 momento de neve - 0,46 x 0,55 - 1958
10 amazonas guerreando - 1,46 x 0,89 - 1958
11 paisagem longínqua - 0,55 x 0,38 - 1956
12 árvore em bruxelas - 0,46 x 0,55 - 1958
13 cidade adormecida - 0,55 x 0,33 - 1956
14 árvore em azul - 0,55 x 0,46 - 1956
15 cidade esboçada em azul - 0,46 x 0,55 - 1957
16 a ilha verde - 0,55 x 0,46 - 1957
17 madrugada - guache - 1959
18 sol sôbre a paisagem - guache - 1958
19 arrebol - guache - 1958
20 tropical - guache - 1959
21 souvenir de paris - guache - 1959
22 lunática - guache -1959
23 dourada - guache - 1959
24 purificação de capri - guache - 1959
25 crepusculando - guache - 1959
26 paisagem triplicada - 0,48 x 0,24 - 1953
27 árvores triplicadas - 0,57 x 0,24 - 1953
de 28 a 33
humanos na paisagem erótica - desenho a nanquim - 1957


(RECORTES DE JORNAIS DA ÉPOCA)

Jornal O Povo - 04 de julho de 1961

EXPOSIÇÃO DO PINTOR ANTÔNIO BANDEIRA

Nos próximos dias será inaugurada, em Fortaleza, uma exposição do pintor Antônio Bandeira, que desde domingo último encontra-se nesta capital.

O famoso pintor cearense estêve na Reitoria esta manhã, tratando com Floriano Teixeira, de detalhes da mostra, a qual será marcada após o regresso do reitor Martins Filho, que deverá ocorrer ainda esta semana.

Esta será a primeira exposição do famoso pintor cearense em sua terra desde que retornou de Paris. Bandeira, nêsse período, já realizou exposições em Buenos Aires, Rio de Janeiro, S. Paulo e Salvador.


Jornal O Povo - 05 de julho de 1961

A EXPOSIÇÃO DE BANDEIRA SERÁ NA SEGUNDA QUINZENA

Acompanhado do cronista Milton Dias, chefe do gabinete do reitor Martins Filho e do pintor Floriano Teixeira, esteve visitando O Povo o pintor cearense Antônio Bandeira, que se emcontra em Fortaleza para realizar uma exposição dos seus últimos trabalhos, sob os auspícios da Universidade do Ceará.

Em palestra com a reportagem de O Povo, Bandeira informou que sua exposição será inaugurada por toda a segunda quinzena dêste mês, podendo, ainda, precisar a data êxata, que só será fixada com o regresso do reitor Martins Filho, que chegará até o fim da presente semana.

Bandeira demorou-se em palestrar com vários repórteres e outros funcionários de O Povo, entre os quais alguns companheiros de "peladas" no tempo de infância.


Jornal O Povo - 14 de julho de 1961

AMANHÃ, A EXPOSIÇÃO DE BANDEIRA NO MUSEU DE ARTE

Depois de sua exposição comemorativa de instalação, aberta ao público no dia 25 de julho passado, volta o Museu de Arte da Universidade do Ceará (MAUC) a promover mais uma grande mostra. Trata-se dessa feita da exposição de pinturas e desenhos de Antônio Bandeira, pintor cearense de renome internacional.

EXPOSIÇÕES ANTERIORES
Após seu retôrno de Paris, onde a sua técnica adquiriu maior vigor e expressividade, esta será a primeira exposição do pintor Antônio Bandeira em sua terra natal, depois de consagradoras mostras de arte realizadas em Buenos Aires, Rio, São Paulo e, por último, em Salvador.

OS QUADROS DE BANDEIRA
Nada menos de 32 dos mais famosos quadros de Antônio Bandeira, entre pinturas, desenhos e guaches, serão expostos amanhã no Museu de Arte da Universidade. Dentre êles destacam-se "Cidade queimada de sol" (homenagem a Fortaleza), "Noturno", "A grande cidade vertical", "Paisagem branca", "Selva noturna", "Paisagem azul", "Bouquet vermelho", "Flora azul", "Momento de neve", "Amazonas guerreando", "Paisagem longínqua" e "Árvore em Bruxelas".

OUTROS QUADROS, DESENHOS E GUACHES
Outros quadros a óleo se incluem na mostra de amanhã, tais como "Cidade adormecida", "Árvores em azul", "Cidade esboçada em azul", "A ilha verde", "Paisagem triplicada" e "Árvores triplicadas". Também os guaches "Madrugada", "Arrebol", "Tropical", "Lunática", "Dourada" e "Crepusculando" e seis desenhos a nanquim, trazendo o título único de "humanos na paisagem erótica".

A EXPOSIÇÃO DE AMANHÃ
Falando sôbre a sua exposição no Museu de Arte da Universidade, o pintor Antônio Bandeira declarou que os quadros a serem apresentados ao público de sua terra, poderiam ser expostos em qualquer cidade do mundo, notadamente em Londres, Nova Iorque e Paris, onde os seus trabalhos já foram exibidos em mostras internacionais.

PRESENTES À EXPOSIÇÃO
Conforme já noticiou O POVO, várias figuras de destaque dos meios culturais brasileiros, deverão fazer-se presentes à exposição de amanhã, no Museu de Arte da Universidade do Ceará, ressaltando-se dentre os visitantes os nomes de Fernando Sabino, Rubem Braga, Eneida, Valdemar Cavalcanti, João Condé, Aluísio Medeiros, Goebel Weyne, Orlando Mota, e José Roberto Teixeira Leite, êste diretor do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Pelo que se pode vêr, a exposição de pinturas e desenhos do consagrado artista conterrâneo Antônio Bandeira, vai constituir-se sem dúvida um dos maiores acontecimentos artísticos do ano em Fortaleza devendo-se essa grata ocorrência à Universidade do Ceará, responsável por quase todos os movimentos culturais e artísticos que se realizam em nosso Estado.


Jornal Correio do Ceará - 15 de julho de 1961

BANDEIRA EXPÕE

Antônio Bandeira (foto), o famoso pintor do Ceará de renome intercional, inaugura hoje sua exposição no Museu de Arte da Universidade do Ceará, com trinta e dois dos seus mais festejaods quadros, entre desenhos, pinturas e guaches, de sua bagagem artística. Bandeira é um dos nomes de projeção da moderna pintura brasileira, aplaudido no mundo inteiro, motivo porque a Mostra do Museu de Artes da Universidade do Ceará está sendo aguardada com o mais vivo interesse, uma vez que os cearenses poderão ter a oportunidade de melhor conhecer o talento artístico do "cabeça-chata" que brilha, para orgulho de nosso Estado, atingindo rapidamente a glória. Seus quadros revelam, acima de tudo, o artista nato que conseguiu levar aos seus trabalhos o sentido elevado de uma arte pura, plena de manifestações poéticas. Numeroso grupo de escritores e jornalistas do Rio chega hoje para a exposição.


Jornal Gazeta de Notícias - 16 de julho de 1961

BANDEIRA NAMORA A ARTE

BANDEIRA NÃO SE CONSIDERA REALIZADO: Bandeira, com tôda a auréola de mestre do pincel, falou francamente para o repórter GN: Quero expandir o que tenho dentro da alma. Preciso pintar muito, muito mesmo ainda.




Jornal O Estado - 16 de julho de 1961
Coluna de Fernando César

EU E O MUSEU

...No mesmo prédio onde antes meninas ardentes brincavam de estudar, irrequietas e belas, a Universidade do Ceará achou de instalar o seu museu de arte. Foi uma transformação violenta; da beleza viva e provocante das garotas à beleza morta meditativa das peças ali colocadas. Enquanto os brotos nos aspiravam, faziam o sangue correr mais cèleremente, os quadros amortecem o pensamento, fazendo-nos meditar, pensar. O museu foi ontem inaugurado com uma exposição de quadros do genial Antônio Bandeira. O uísque escasso da Universidade não foi suficiente para fazer os não iniciados na escola do abstracionismo entenderem os quadros do Bandeira. Muita gente, muito intelectual e muita mulher bonita também, formando um quadro diferente, contrastando com o reboliço de cores de "afetação" do Bandeira. Fotógrafos se movimentavam, enquanto as gentes olhavam as realizações pictóricas do Bandeira e, depois se entreolhavam. Para os não iniciados é uma coisa difícil entender a arte do grande pintor conterrâneo. Para comprovar que não éramos nós os únicos ignorantes presentes indagamos de algumas figuras do mundo das letras de nossa terra a interpretação da pintura do Bandeira. Para o Girão Barroso não há interpretação; já o cavalheiro Jimmy da Panair do Brasil (não queremos passagens de cortezia, não somos cronistas sociais), olhando-se os quadros com boa vontade se entendia. Vê-se que é uma questão de boa vontade.


Jornal Gazeta - 26 de julho de 1961

PINTURA DÁ DINHEIRO: BANDEIRA VENDEU 2 MILHÕES EM QUADROS

Antônio Bandeira, que veio ao Ceará participar da exposição de arte promovida pela Universidade do Ceará e ao mesmo tempo paasar uns dias com os seus, abordado por GN anunciou que resolveu vender todos os seus trinta e dois quadros mostrados na exposição à Uniersidade do Ceará. — "Meus 32 quadros estavam orçados em três milhões e duzentos mil cruzeiros. Vendi vinte e oito quadros por dois milhões e doei os otros à Universidade ("A Grande Cidade Vertical", "Paisagem Azul", "Selva Noturna" e Cidade Queimada de Sol") que valem um milhão e duzentos mil. — "Fiz bom negócio — peguei em bôa gaita, e doei ainda à Universidade de meu querido Ceará quatro obras arrancadas de minha alma."

DEMORA MAIS UM MÊS
Anunciou-nos Antônio Bandeira, que está firmando um contrato para fazer um painel para a Faculdade de Direito do Ceará, que se "der vontade de trabalhar" lhe ocupará por mais de um mês. Depois de terminar o painel, que ainda não está contratado (podendo partir logo, se o contrato não fôr mesmo firmado) depois de um mês irá a São Paulo onde participará da Bienal de Arte a se realizar em setembro em Ibirapuera. Disse-nos ainda, que está resolvido a fazer doravante visitas mais constantes ao Ceará. Do próximo ano em diante está pensando em passar uma temporada em Paris, e neste caso, todas as vêzes que vier ao Brasil virá também à sua terra.




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