A inserção de Carlito e de sua pintura no mundo do trabalho se faz de uma forma singular: é ao mesmo tempo
anti-virtualidade e ingênua objetualidade.
A imagem em Carlito foge da tela mas pede um suporte e o suporte possível e disponível
se faz presente. A antiga tela sobrevive nas estruturas planas que se desprendem dos objetos metálicos: geladeiras, fogões, etc...
São dádivas urbanas. Estruturas de resistência, anti-telas. Possuí-las requer força de carregador e teimosia.
Depois é pintar, como um pintor de telas, com pincel e tinta. Não é assim que pintam os pintores?
A história da arte desfila frente aos olhos. Como uma criança maravilhada numa loja de brinquedos, surgem milhões de desejos. Os brinquedos são muitos.
A impulsão pictórica se impõe e as tintas e os estilos compõem uma ciranda plástica imprevisível, onde as imagens poéticas intronizam formas.