História

A Idéia da Criação do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará

Antônio Martins Filho
por Oswaldo Teixeira

Quando visitei a Europa pela primeira vez, no segundo semestre de 1949, detive-me no Museu del Prado em Madrid, de cujo acervo artístico já havia tomado conhecimento, através de catálogos e revistas de arte. Era um conhecimento perfunctório, mas que me ajudou, no momento em que deparei com As Virgens de Murilo, as telas célebres de Velázquez e a pintura untada de espiritualidade de EI Greco. Depois da visita a Madrid, viajei para Paris, via Barcelona e Marselha, como presidente da Embaixada Acadêmica Clóvis Beviláqua, integrada de estudantes da Faculdade de Direito que, pela primeira vez, excursionavam pelo Velho Mundo. Na capital da França o grupo foi acrescido de um membro ad hoc – o pintor cearense Antônio Bandeira, já naquela época ostentando uma barba estilizada, que lhe assegurava certa popularidade no Quartier Latin.

Antônio Bandeira

Em 1952 retornei à Europa, com a finalidade de realizar uma pesquisa necessária à elaboração de um trabalho em fase de conclusão, sobre o tema Le Brésil et Ia conquête de I’air, para ser apresentado à Société Française de Droit Aérien. Nessa ocasião novamente visitei aqueles museus de arte e outros mais, em várias cidades da Itália, preferencialmente o de Vila Borghese e os de Florença, Milão e Gênova, onde tive a oportunidade de conhecer as célebres esculturas que elevam o Cemitério de Estalheno à categoria de Monumento Nacional. Alguns anos depois, já no exercício da Reitoria da Universidade do Ceará, passei a considerar a importância dos museus e sua alta significação na sedimentação da cultura de um povo.

Heloisa Juaçaba

Compreendi, igualmente, que teria tido maior rendimento nas minhas esporádicas visitas aos museus da Europa, se estivesse mais familiarizado com o mundo maravilhoso das artes plásticas. Concluí então que deveríamos iniciar o movimento pró-fundação do Museu de Arte da Universidade, idéia, aliás, várias vezes discutida com a Senhora Heloísa Juaçaba, com os pintores Zenon Barreto e Antônio Bandeira, além de outros amigos que apoiavam irrestritamente a iniciativa. A essa altura, entrou em cena o pintor maranhense Floriano Teixeira, que concordou em vir trabalhar na Universidade, exercendo as funções de desenhista, lotado na Divisão de Obras, mas convocado para servir em meu Gabinete, na condição de assessor para assuntos de arte. Fomos gradativamente adquirindo material artístico para uma amostra de arte popular do Nordeste, ex-votos e peças de arte sacra, além de telas de artistas plásticos do Ceará. Destinei um dos imóveis próximos à Reitoria para a sede do Museu e nele foram feitas as adaptações estritamente necessárias, para que pudéssemos instalar oficialmente o Museu de Arte. Tudo isso se verificou no segundo semestre de 1960, mas a instalação oficial do Museu só ocorreu no dia 25 de junho de 1961. A idéia, transformada em realidade, constituiu uma das promoções de destaque, ao longo dos doze anos do meu Reitorado.

Antônio Martins Filho